maio
36# consistência
Comecei a tomar café mais regularmente. É um hábito, uma rotina pós almoço que tenho achado bem gostosa. Fazer um cafezinho expresso, sentar na mesa de trabalho e iniciar as atividades. Me dá o “up” necessário para engajar no que precisa ser feito. Muito gostoso, parabéns pra quem já fazia isso.
Durante a faculdade, outros estudantes (ou ex-estudantes) de arquitetura me falavam que tomavam dezenas de cafezinhos para aguentar o ritmo e, até nos lugares em que trabalhei eles tomavam vários para aguentar o ritmo do trabalho. Hoje em dia, meu ritmo é bem desacelerado, em comparação ao que já tive antes, e só agora adquiri o hábito do café. Só agora fui achar gostoso, fazer o quê
Estou muito consistente com a minha vida, minha rotina, meus hábitos, apenas algumas adaptações aqui e ali, nada altamente transformador. Continuo vendo as pessoas que gosto de ver, continuo trabalhando, estudando e, de vez em quando, dou o meu show aqui. Bem simples, nada assustador e inesperado. Me sinto bem feliz e contente com isso. Nos últimos dois anos, me esforcei pra chegar aqui e, já que cá estamos, me resta aproveitar. Imagine se você ia querer mudar muita coisa.
Pra minha surpresa me deparei com o lado ruim dessa consistência toda. É muito difícil deixar alguém mudar a vida boa que estou levando. “Deixar alguém entrar”, vamos colocar assim para que fique muito claro o que está sendo falado, rs. Me assentei nesse contentamento, no conforto do dia a dia, das conversas, das saídas, da família, da minha deliciosa casa. E o pior: não estou só nisso, faço as minhas viagens divertidas, conheço uma galerinha nova, até festa de aniversário planejei, tudo muito bom. A vida está prestando, e muito!
Tenho que falar: acho que dois meses atrás, estava muito frustrada com a ideia de conhecer alguém. Fiquei realmente chorosa e desolada com a impossibilidade, mas aí cansei. Disse que não ia mais me importar com isso, ia olhar pras coisas boas da minha vida, que estavam e estão sendo muitas, ia ser grata por tudo e não resumiria minha vida a achar alguém. Pronto, dito e feito. Agora quem disse que consigo sair dessa consistência. E quer saber? Nem eu sei se quero sair.
Mas a rotina está aí pra ser quebrada, pra gente saber que tem pra onde voltar quando as coisas saem um pouco do controle (isso Bela Reis já disse). Talvez eu esteja aberta a mexer, com calma, nas coisas, agora que definitivamente sei que tenho pra onde voltar.


